O
HOMEM E SUAS DOLOROSAS CIRCUNSTÂNCIAS
Roberto
Machado
Ainda guarda bem viva,
nos recônditos de sua memória, a lembrança do dia em que a conheceu. Até o
momento exato, embora já lhe escape, que pena, a posição precisa do terceiro
ponteiro do relógio.
Procurar explicações
para a arte daquele encontro, isto já fez bastante. Demoradas elucubrações e
exercícios de futurologia têm marcado o seu dia-a-dia. Até conselhos já tomou.
Nunca saiu de suas
cogitações, e o que de logo tomou como meta precisa, foi a de que ela seria em
sua vida um instrumento de busca do equilíbrio e da felicidade: de tudo que se
opusesse à tristeza e à dor!
Mas, caprichosa, a vida
tomou-lhe o fôlego. Desdenhosamente, a velha madrasta de todas as horas cobrou-lhe
o tributo. E eis que...
A
tristeza e a dor bateram-lhe à porta
E
os seus olhos arderam
E
os seus músculos doeram
E
os seus ossos rangeram
E
o seu estômago embrulhou
E
a sua respiração faltou
E
o seu cérebro embotou
E
o seu coração chorou
E
o tédio invadiu-lhe desgraçadamente a alma...
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