domingo, 14 de julho de 2013

CRÔNICA



O HOMEM E SUAS DOLOROSAS CIRCUNSTÂNCIAS
Roberto Machado

Ainda guarda bem viva, nos recônditos de sua memória, a lembrança do dia em que a conheceu. Até o momento exato, embora já lhe escape, que pena, a posição precisa do terceiro ponteiro do relógio.

Procurar explicações para a arte daquele encontro, isto já fez bastante. Demoradas elucubrações e exercícios de futurologia têm marcado o seu dia-a-dia. Até conselhos já tomou.

Nunca saiu de suas cogitações, e o que de logo tomou como meta precisa, foi a de que ela seria em sua vida um instrumento de busca do equilíbrio e da felicidade: de tudo que se opusesse à tristeza e à dor!

Mas, caprichosa, a vida tomou-lhe o fôlego. Desdenhosamente, a velha madrasta de todas as horas cobrou-lhe o tributo. E eis que...

A tristeza e a dor bateram-lhe à porta
E os seus olhos arderam
E os seus músculos doeram
E os seus ossos rangeram
E o seu estômago embrulhou
E a sua respiração faltou
E o seu cérebro embotou
E o seu coração chorou
E o tédio invadiu-lhe desgraçadamente a alma...

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